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Assinatura · Arquitetura · São Paulo

Jacques Pilon

O francês que verticalizou o centro de São Paulo: cerca de sessenta projetos em trinta anos, da Biblioteca Mário de Andrade ao palacete que hoje é o hall de um condomínio em Higienópolis.

Quem é

Jacques Émile Paul Pilon (Le Havre, França, 20 de fevereiro de 1905 — São Paulo, 11 de julho de 1962) chegou ao Brasil aos cinco anos, quando o pai foi contratado para organizar e dirigir o porto do Rio de Janeiro. Voltou à França para estudar e formou-se em letras, direito e arquitetura, esta última na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, em 1932. De volta ao Rio em 1933, trabalha no escritório de Roberto R. Prentice; destacado para fiscalizar a obra do edifício da Sul América Capitalização, muda-se para São Paulo em 1934 e não sai mais.

Ainda em 1934 associa-se ao engenheiro civil Francisco Matarazzo Neto, filho do conde Andrea Matarazzo, na PILMAT — empresa de projeto e construção que introduz no Brasil, em 1935, a estaca tipo Franki e ergue no centro da cidade a Biblioteca Mário de Andrade, projetada em 1936 e inaugurada em 1942. Encerrada a PILMAT no fim da década, Pilon abre escritório próprio, por onde passam como sócios e colaboradores os alemães Herbert Duschenes e Franz Heep (1902–1978), o italiano Gian Carlo Gasperini e o brasileiro Jerônimo Bonilha Esteves. Entre a chegada e a morte, esteve envolvido em cerca de sessenta projetos na área central, dos quais ao menos cinquenta edifícios verticais seguem de pé e em uso.

Sua obra não é de uma linguagem só, e é justamente isso que a torna interessante. Da grelha pragmática dos anos da PILMAT ele passa, no início dos anos 1940, a uma composição de caráter clássico modernizado — fachada dividida em base, fuste e coroamento, colunas verticais contínuas, balaústres robustos de alvenaria substituindo os tubos metálicos, sancas e requadros — que atendia a uma clientela de famílias tradicionais e instituições, para quem o edifício tinha de expressar solidez. Com a chegada de Franz Heep ao escritório, em 1947, o repertório racionalista volta a dominar. Um dos capítulos mais visíveis dessa fase tradicionalista está em Higienópolis: o palacete que projetou nos anos 1940 à imagem do Petit Trianon, a casa de campo de Maria Antonieta nos jardins de Versalhes, hoje tombado nas esferas municipal e estadual e usado como hall social do Maria Antonieta. O escritório não teve continuidade depois da morte de Pilon, em 1962.

Linguagem

  • Estilo: trânsito consciente entre o tradicionalismo de composição clássica e o racionalismo moderno — não uma evolução em linha reta, mas idas e vindas dentro do mesmo escritório, conforme o cliente e o programa.
  • Materiais e marca: divisão tripartite da fachada em base, fuste e coroamento; caixilhos de proporção vertical e colunas contínuas que remetem ao intercolúnio clássico; balaústres de alvenaria, sancas e sulcos nos pilares; nos edifícios de esquina, o corte cilíndrico emoldurado por sanca, que dá ao volume uma dramaticidade quase barroca. Do lado técnico, a estaca tipo Franki, que ele trouxe para o país.
  • Reconhecimento: obra incluída na mostra Brazil Builds: architecture new and old (MoMA, Nova York, 1943) e na exposição Warchavchik, Pilon, Rino Levi — Três Momentos da Arquitetura Paulista (Museu Lasar Segall/Funarte, 1983).

Obras-ícone

  • Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo — projeto de 1936, inaugurada em 1942.
  • Palacete dos anos 1940 na Avenida Higienópolis, à imagem do Petit Trianon de Versalhes: tombado e hoje o hall social do Maria Antonieta.
  • Edifício Ernesto Ramos e Edifício Canadá, no centro.
  • Edifício Santa Margarida e Edifício Irradiação, edifícios de esquina da fase tradicionalista.
  • Edifício Guilherme Guinle, antiga sede dos Diários Associados.
  • Edifício Edlu.
  • Antiga sede do jornal O Estado de S. Paulo.
  • Edifícios Paulicéia e São Carlos do Pinhal.

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