Assinatura · Arquitetura · São Paulo
Vilanova Artigas
"Arquitetura é construção e arte." O fundador da escola paulista — o homem que ensinou São Paulo a mostrar o concreto e transformou o vão livre em ideia de país.
Quem é
João Batista Vilanova Artigas (Curitiba, 23 de junho de 1915 — São Paulo, 12 de janeiro de 1985) formou-se engenheiro-arquiteto pela Escola Politécnica da USP em 1937 — numa escola em que o ensino de arquitetura derivava da engenharia, e não das belas-artes, como no Rio. É dessa origem que vem a marca da obra dele: a valorização do processo construtivo e a exibição franca da estrutura em concreto armado.
A produção inicial tem influência reconhecida de Frank Lloyd Wright, visível no desenho dos telhados, na continuidade entre interior e exterior e no tijolo aparente. Em 1946 recebe uma bolsa da Fundação Guggenheim e passa quase um ano nos Estados Unidos. De volta, participa da criação da FAU-USP, em 1948, onde passa a lecionar; em 1943 fundara, com colegas, o Departamento de São Paulo do IAB. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, faz das residências unifamiliares um programa: educar uma nova ética do morar.
Nos anos 1950 critica o racionalismo modernista nos artigos Le Corbusier e o Imperialismo (1951) e Caminhos da Arquitetura Moderna (1952) e encontra no novo brutalismo inglês a base para defender uma arquitetura nacional a partir do domínio da técnica. Nasce daí o que se chama escola paulista — ou brutalismo paulista: grandes vãos, concreto armado aparente, estrutura à mostra. Em 1961 realiza a série de projetos que define essas linhas mestras: o Anhembi Tênis Clube, a Garagem de Barcos do Iate Clube Santa Paula e o edifício da FAU-USP, construído de 1966 a 1969 com Carlos Cascaldi — um grande vazio central, seis pavimentos ligados por rampas, sem portas nem divisões marcadas, a arquitetura como espaço de convivência democrática.
Afastado da FAU-USP em 1969 pela ditadura militar, volta apenas com a anistia, no fim de 1979, e reassume a cátedra em 1984. Deixa cerca de setecentos projetos. Da União Internacional dos Arquitetos recebeu o Prêmio Jean Tschumi (1972), pela contribuição ao ensino, e o Prêmio Auguste Perret (1985), pela obra construída.
Linguagem
- Estilo: brutalismo paulista — grandes vãos livres, planos horizontais suspensos, pilares que se afinam no encontro com o solo, continuidade espacial sem compartimentação.
- Materiais e marca: concreto armado aparente com a marca da fôrma, iluminação zenital, rampas no lugar de escadas, o vazio central como praça coberta.
- Prêmios: Prêmio Jean Tschumi (UIA, 1972) e Prêmio Auguste Perret (UIA, 1985).
Obras-ícone
- Edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP), na Cidade Universitária — com Carlos Cascaldi.
- Edifício Louveira, em Higienópolis, junto à Praça Vilaboim.
- Anhembi Tênis Clube, São Paulo.
- Garagem de Barcos do Iate Clube Santa Paula, São Paulo.
- Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado (Parque CECAP), em Guarulhos — com Paulo Mendes da Rocha e Fábio Penteado, 1968.
- Rodoviária de Londrina.
- Residência Rio Branco Paranhos (1943), São Paulo.
Assinaturas na carteira
Nenhum condomínio do acervo leva esta assinatura por enquanto — ela está aqui pelo peso do nome no alto padrão paulistano.

