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Assinatura · Arquitetura · São Paulo

Rino Levi

Escreveu a favor da arquitetura moderna antes de conseguir construí-la — e depois construiu, em Higienópolis, o edifício que ensinou São Paulo a morar em apartamento.

Quem é

Rino Levi (São Paulo, 31 de dezembro de 1901 — Lençóis, Bahia, 29 de setembro de 1965) era filho de imigrantes italianos e voltou à Itália para se formar: entra em 1921 na Escola Preparatória e de Aplicação para os Arquitetos Civis, em Milão, e transfere-se em 1924 para a Escola Superior de Arquitetura de Roma. Ainda estudante, publica em O Estado de S. Paulo, em 1925, a carta Arquitetura e Estética das Cidades — considerada uma das primeiras manifestações por uma arquitetura moderna no Brasil. Volta em 1926 e abre carreira independente no ano seguinte, começando por pequenas residências e casas de aluguel para a comunidade italiana paulistana.

O escritório cresce com dois sócios que entram a partir de 1936 e permanecem até o fim: Roberto Cerqueira César (1917–2003) e Luiz Roberto Carvalho Franco (1926–2001) — o trio que assina o Prudência. É uma obra de várias frentes ao mesmo tempo: o Edifício Columbus (1934), que inova ao tratar todas as fachadas e não apenas a da frente; o Cine Ufa-Palácio (1936), em que a acústica e a visibilidade viram o problema central do projeto; o Instituto Sedes Sapientiae (1940–1942), hoje PUC-SP, onde ergue seu primeiro teto-jardim em torno de um pátio de vegetação tropical; e a série de “residências introvertidas” que começa pela casa do próprio arquiteto, em 1944.

O reconhecimento internacional vem por um projeto que não saiu do papel: a Maternidade Universitária da Faculdade de Medicina da USP (1944), em que rompe com as tipologias hospitalares existentes ao separar os usos em blocos, hierarquizar a circulação e deixar as plantas flexíveis. O projeto ganha o Prêmio para Projeto de Edifício de Uso Público na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, e o transforma em autoridade em arquitetura hospitalar — a ponto de a Venezuela o convidar para coordenar o planejamento de uma rede de hospitais inteira. Participa da criação do MAM/SP em 1948 e é seu diretor-executivo; dirige o IAB/SP entre 1952 e 1955; é membro dos CIAM desde 1945; e fica em terceiro lugar no concurso de Brasília, em 1956, com uma proposta de cidade polinuclear oposta à de Lucio Costa. Morreu aos 63 anos, em viagem à Bahia, pouco depois de vencer o concurso do Centro Cívico de Santo André. Interessado a vida inteira por plantas ornamentais, foi homenageado pela artista botânica inglesa Margaret Mee, que pediu que uma bromélia nova coletada no rio Cauboris levasse seu nome: Neoregelia leviana.

Linguagem

  • Estilo: racionalismo moderno com pesquisa técnica no centro do projeto — planta livre e setorizada por função, grelha estrutural modulada que libera a fachada da estrutura, e a busca declarada pela “síntese das artes”, com arquitetura, paisagismo, mobiliário e mural pensados juntos.
  • Materiais e marca: pastilha cerâmica na fachada, pilotis no térreo, teto-jardim na cobertura, divisórias móveis no lugar da alvenaria, pátios internos com vegetação tropical. A parceria recorrente com Roberto Burle Marx — jardins, painéis de azulejo e murais — é uma das mais citadas da arquitetura moderna brasileira. Em alguns edifícios a fachada inteira vira painel, como no Banco Sul-Americano, revestido de placas de mármore em padrão geométrico.
  • Prêmios: Prêmio para Projeto de Edifício de Uso Público na 1ª Bienal Internacional de São Paulo (1951), pela Maternidade Universitária da Faculdade de Medicina da USP. Obra incluída na mostra Brazil Builds (MoMA, Nova York, 1943) e na exposição Warchavchik, Pilon, Rino Levi — Três Momentos da Arquitetura Paulista (1983).

Obras-ícone

  • Edifício Prudência e Capitalização (projeto de 1944, entrega em 1948), em Higienópolis, com Roberto Cerqueira César e jardins e painel de Roberto Burle Marx — tombado.
  • Edifício Columbus, São Paulo.
  • Cine Ufa-Palácio, depois Cine Universo, no centro de São Paulo.
  • Instituto de Educação Sedes Sapientiae, hoje PUC-SP.
  • Edifício do Teatro Cultura Artística, São Paulo.
  • Residência Olivo Gomes, São José dos Campos.
  • Edifício do Banco Sul-Americano, na Avenida Paulista — hoje Itaú.
  • Edifício do Hospital Albert Einstein, no Morumbi.
  • Centro Cívico de Santo André, seu último projeto.

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