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Bairro · São Paulo/SP

Morumbi

A antiga Fazenda do Morumbi, setecentos alqueires de um inglês que plantava chá, virou o endereço de mansão de São Paulo — e o único bairro da cidade que abriga ao mesmo tempo a sede do governo do estado, o estádio e um bolsão de pobreza a uma quadra do muro.

A narrativa do bairro

O nome é tupi e descreve o chão: morõ mais o sufixo locativo, “lugar do morro” — e há quem leia “morro do vento”, pelas correntes de ar das colinas. Até meados do século XX isto era a Fazenda do Morumbi, cerca de setecentos alqueires do inglês John Rudge, que ali plantava chá; o documento mais antigo do sítio é de 1825. Da fazenda sobrou a Capela do Morumbi, na Avenida Morumbi 5387: paredes de taipa de pilão completadas com alvenaria em 1950, num projeto de Gregori Warchavchik, com afrescos de Lúcia Suanê que pintou anjos de fisionomia indígena no batistério. Restaurada em 1980, hoje é parte do Museu da Cidade de São Paulo.

O bairro só virou distrito autônomo em 20 de maio de 1992, pela Lei Municipal 11.220, desmembrado do antigo distrito de Pinheiros — antes disso era distrito de paz, figura cartorária e eleitoral, não administrativa. Nesse meio-tempo a região já havia recebido o que a define. O Palácio dos Bandeirantes, na Avenida Morumbi 4500, começou em 1955 como sede de uma universidade que o Conde Francisco Matarazzo Júnior quis fundar e nunca instalou; a obra travou por dinheiro, foi desapropriada e virou a sede do Governo do Estado de São Paulo em 19 de abril de 1964. Em frente a ele está a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano: a casa modernista de Oswaldo Bratke onde o casal morou duas décadas, com parque de Otávio Augusto Teixeira Mendes, doada à cidade em 1974 e aberta ao público em 1980 — 75 mil m² de mata dentro do bairro.

O Morumbi de mercado é maior que o Morumbi do CEP. O nome cobre, no uso corrente, o Jardim Guedala, as Paineiras do Morumbi e o Panamby, que os Correios registram cada um com o próprio bairro. E há a inversão célebre: o shopping Morumbi não fica no Morumbi — está na Avenida Roque Petroni Júnior, do outro lado da Marginal Pinheiros, em CEP de Brooklin. A régua da casa vale nos dois sentidos: o CEP manda no endereço, o uso de mercado manda no bairro.

O produto daqui é casa em lote de origem e torre esparsa, num desenho de baixa densidade que a topografia impôs antes de a lei confirmar. Não há quadra para refazer a operação: o que muda de mãos é o que a fazenda já repartiu.

Morumbi: colina, mata e muro alto. O bairro onde moram o governador, o estádio e a maior parte das mansões da cidade.

O entorno

  • Clubes: o Clube Paineiras do Morumbi, colado ao Parque do Morumbi e ao verde das Paineiras; do outro lado do rio, na Cidade Jardim, o Jockey Club de São Paulo e o Esporte Clube Pinheiros, a minutos pela ponte.
  • Escolas: o Colégio Visconde de Porto Seguro na unidade voltada ao Panamby, a Graded School — The American School of São Paulo — na Avenida Giovanni Gronchi, e a rede de colégios internacionais que se espalhou pelo eixo do Morumbi acompanhando as famílias.
  • Gastronomia e lifestyle: o Shopping Cidade Jardim, do outro lado da Marginal, e o Shopping Jardim Sul; dentro do bairro, a oferta é mais de casa do que de rua — o comércio de vitrine ficou na Giovanni Gronchi e o resto se resolve de carro.
  • Parques: o Parque do Morumbi, o Parque Alfredo Volpi no lado do Jardim Guedala e o Parque Burle Marx no Panamby; some-se a mata da Fundação Oscar Americano, que funciona como parque sem ser um.

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