Assinatura · Arquitetura · São Paulo
Roberto Cerqueira César
Sócio de Rino Levi desde a formação e coautor do Prudência: o arquiteto que desenhava o projeto até o detalhe do banheiro — e que depois desenhou os órgãos de planejamento de São Paulo.
Quem é
Roberto Cerqueira César (São Paulo, 31 de janeiro de 1917 — 25 de junho de 2003) formou-se engenheiro-arquiteto pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Entrou no escritório de Rino Levi em 1941, associou-se à casa em 1945 e ali permaneceu por meio século — é um dos arquitetos que introduziram a arquitetura moderna em São Paulo. Foi também o único signatário remanescente da ata de fundação do Departamento de São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil, em 1943, e um dos autores do projeto da sede do IAB-SP.
Nos primeiros anos ao lado de Levi assina os projetos que fixariam a reputação da casa: o Edifício Prudência e Capitalização (projeto de 1944, entrega em 1948), o Teatro Cultura Artística (1950) e, em 1944, a Maternidade Universitária da Faculdade de Medicina da USP — não construída, mas premiada como Projeto de Edifício de Uso Público na 1ª Bienal de São Paulo, em 1951. Com Rino Levi, obtém o terceiro lugar no concurso do Plano Piloto de Brasília (1956), com uma proposta de cidade polinuclear. Nos anos 1960, já ao lado de Luís Roberto Carvalho Franco, projeta a Faculdade de Medicina do ABC (1967), em Santo André, e a sede da Fiesp na Avenida Paulista (1969).
A segunda carreira é pública e talvez mais duradoura. Professor da FAU-USP de 1954 a 1967 — chefe do Departamento de Composição em 1963 — e professor convidado da FAU da UnB, escreveu artigos dominicais em O Estado de S. Paulo de 1958 a 1975 alertando para os efeitos da expansão desordenada da capital: transporte, habitação, custo dos serviços, especulação imobiliária. Propôs a criação dos órgãos de planejamento da cidade e depois os presidiu: foi o primeiro presidente da EMURB, o primeiro presidente da COGEP (depois SEMPLA) e o primeiro Secretário de Estado dos Negócios Metropolitanos de São Paulo (1975–1979). Dessa época são a Lei de Zoneamento, o Plano de Vias Expressas, o PDDI, a Nova Paulista e a Lei de Proteção aos Mananciais. Depois de deixar o escritório Rino Levi, funda em 1992, com Paulo Bruna, o Paulo Bruna Arquitetos Associados.
Linguagem
- Estilo: racionalismo moderno de matriz técnica, herdado e praticado dentro da casa de Rino Levi — planta setorizada por função, estrutura modulada, e a convicção de que o projeto se resolve no desenho, do partido ao detalhe. Quem trabalhou com ele conta que desenhava tudo: acústica, luminotécnica, cálculo de assentos, banheiro.
- Materiais e marca: pré-moldados e racionalização construtiva, sobretudo na produção industrial dos anos 1990; térreo tratado como área intermediária entre o edifício e a cidade — na sede da Fiesp, o volume recua a cada pavimento e cria o plano inclinado que virou a assinatura do prédio.
- Prêmios: Prêmio para Projeto de Edifício de Uso Público na 1ª Bienal de São Paulo (1951, pela Maternidade Universitária da FMUSP); Grande Prêmio da III Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (1997) pelo Ática Shopping Cultural, em Pinheiros, e menção honrosa na Bienal de Quito (1998); prêmio Valorização da Construção Civil (2003).
Obras-ícone
- Edifício Prudência e Capitalização, em Higienópolis — com Rino Levi, jardins e painel de Roberto Burle Marx; tombado.
- Edifício do Teatro Cultura Artística, São Paulo.
- Edifício do Hospital Albert Einstein, no Morumbi, e Hospital do Câncer.
- Cine Ipiranga, São Paulo.
- Sede da Fiesp, na Avenida Paulista.
- Edifício do Banco Sul-Americano, na Avenida Paulista — hoje Itaú.
- Centro Cívico de Santo André.
- Sede do IAB-SP, tombada.
- Ática Shopping Cultural, em Pinheiros.
Assinaturas na carteira
Nenhum condomínio do acervo leva esta assinatura por enquanto — ela está aqui pelo peso do nome no alto padrão paulistano.

