
Bairro · São Paulo/SP
Água Branca
O bairro que nasceu de um córrego de águas limpas, virou distrito industrial por causa de duas ferrovias e hoje é onde a zona oeste vai ver jogo, correr no parque e gravar televisão.
A narrativa do bairro
O nome é literal: havia um córrego de águas límpidas cortando a região, e ele hoje corre canalizado sob a Avenida Sumaré. O lugar já era conhecido em 1822, quando o viajante francês Saint-Hilaire o citou como caminho para Campinas; as terras vinham da sesmaria doada aos jesuítas, confiscada pelo governo com a expulsão da Companhia de Jesus em 1759. O que transformou a várzea em bairro foram os trilhos: a ferrovia que ligava Santos a Jundiaí, de 1867, e a Sorocabana, inaugurada em 1874. Terreno amplo e barato ao lado de duas estradas de ferro é receita de fábrica, e a partir de 1880 elas vieram — com as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo à frente, que deixaram o nome na avenida principal e na praça. Depois veio a desindustrialização, a valorização do solo e a virada para o setor terciário, e o bairro passou a ser atravessado mais do que habitado.
O que ficou de pé é de primeira linha. O Parque da Água Branca — oficialmente Parque Fernando Costa — começou a ser formado em 1905, por iniciativa da Sociedade Rural Brasileira, e foi inaugurado em 2 de junho de 1929, quando a avenida em frente ainda não tinha asfalto. São 136.765 m² de mata, lago, pombal e pavilhões de exposição zootécnica, tombados pelo Condephaat em 1996 e pelo Conpresp em 2004; até hoje o parque abriga o Instituto de Pesca, associações de criadores e a feira de orgânicos. A poucas quadras, o Allianz Parque foi erguido sobre o antigo Parque Antártica, e os estúdios da TV Cultura fecham o triângulo. Administrativamente a Água Branca é bairro dos distritos da Barra Funda e da Lapa, sob a subprefeitura da Lapa, fazendo divisa com Perdizes, a Lapa, o Limão e a Freguesia do Ó. E o limite com Perdizes é mais fino do que parece: a Avenida Francisco Matarazzo e a Praça Conde Francisco Matarazzo Júnior têm CEP de Água Branca, enquanto a Rua dos Caetés, a uma quadra dali, já é Perdizes.
É um dos poucos lugares do centro expandido onde ainda existe gleba grande — herança dos galpões — e é justamente por isso que o solo aqui está sob operação urbana, com cronograma de infraestrutura amarrado a cada aprovação. O produto residencial de alto padrão é recente e contado; o que se compra é a posição, não o estoque.
Água Branca: fábrica virou estádio, várzea virou parque. O pedaço da zona oeste que a cidade inteira atravessa para ver jogo e sai sem saber que é bairro.
O entorno
- Clubes: a sede social e a arena da Sociedade Esportiva Palmeiras, no Allianz Parque, são o equipamento que organiza a agenda do bairro; clube tradicional de sócio, no sentido paulistano, o bairro não tem — o mais próximo está do outro lado de Perdizes.
- Escolas: a oferta é a dos bairros vizinhos, toda a minutos: a PUC-SP no campus Monte Alegre e os colégios tradicionais de Perdizes, da Vila Romana e do Alto da Lapa.
- Gastronomia e lifestyle: o Allianz Parque como casa de show além de estádio, os estúdios da TV Cultura, o Sesc Pompeia de Lina Bo Bardi a poucos minutos pela Avenida Pompeia, e o comércio de serviço que se instalou ao longo da Avenida Francisco Matarazzo.
- Parques: o Parque da Água Branca, que é o argumento do bairro — 136 mil m² de área tombada, com pista, lago, brinquedoteca e feira de orgânicos, a cinco minutos a pé de boa parte das quadras residenciais.

