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FRAGATA
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Bairro · São Paulo/SP

Barueri

Não é bairro: é o município vizinho, aldeamento jesuíta que já foi distrito de Santana de Parnaíba, se emancipou em 1948 e hoje tem o dobro da população de quem o governava — porque em 1973 abriu a lei que criou Alphaville.

A narrativa do bairro

Barueri começou como aldeamento indígena a 26 km da Praça da Sé. A historiografia oficial dá 1610, com o padre João de Almeida; a tradição atribui a fundação a novembro de 1560 e a José de Anchieta. A aldeia cresceu depressa e virou um dos mais importantes aldeamentos do Brasil Colônia, resistindo com os jesuítas aos ataques dos bandeirantes que desciam o Tietê para aprisionar indígenas. Foi governada pela Câmara Municipal de São Paulo de 1560 a 1809 e, depois, como freguesia e distrito, pela Câmara de Santana de Parnaíba — a relação que explica tudo o que veio a seguir.

Os trilhos mudaram o eixo. As obras da Estrada de Ferro Sorocabana começaram em 1870 e o primeiro trecho foi inaugurado em 1875: Barueri ganhou estação e virou entreposto de cargas, rota obrigatória entre São Paulo, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus. Quando a Light ergueu a barragem no Tietê, em 1900, foi por Barueri que passaram os equipamentos — e para isso se abriu a Rua Duque de Caxias, evitando a ladeira da Campos Sales. Distrito policial em 1917, distrito de paz em 1918, primeira indústria em 1936 (o Frigorífico Pisani), a cidade suplantou a pacata Parnaíba que a administrava. O movimento emancipacionista venceu: o município de Barueri foi criado pela Lei 233, de 24 de dezembro de 1948, sancionada por Adhemar de Barros, com governo municipal instalado em 26 de março de 1949 e comarca própria a partir de 8 de dezembro de 1964.

A segunda virada tem data e número de lei: em 1973, a Câmara Municipal aprovou a Lei de Zoneamento Industrial, e foi ela que abriu caminho para os polos do Tamboré, de Alphaville, do Jubran Votupoca e do Jardim Califórnia. No mesmo ano, os engenheiros Yojiro Takaoka e Renato de Albuquerque compraram quinhentos hectares da Fazenda Tamboré e começaram a desenhar o primeiro bairro planejado de grandes proporções do Brasil. Hoje Alphaville é a principal fonte de arrecadação do município, que tem 65,70 km², cerca de 316 mil habitantes e uma densidade de 4.816 habitantes por km² — a terceira cidade mais populosa da microrregião de Osasco, e o dobro da população do município que um dia a governou. O território se divide entre a sede e os distritos de Aldeia, Jardim Belval e Jardim Silveira.

A metade de Alphaville e do Tamboré que cabe a Barueri é a mais próxima da capital, e foi também a primeira a ser loteada. Os perímetros estão fechados desde o século XX; não se abre residencial novo, e o que muda de mãos é lote dentro de um traçado que já foi todo repartido.

Barueri: aldeamento jesuíta de 1560 que era distrito de Parnaíba, se emancipou em 1948 e virou o dobro do vizinho. Metade de Alphaville e do Tamboré é daqui — a metade mais perto de São Paulo.

O entorno

  • Clubes: o Alphaville Tênis Clube, de 1976, é o ponto de encontro histórico da região e fica deste lado da divisa; além dele, cada residencial mantém a própria sede social, com quadras de saibro, campo, pista de cooper e estrutura esportiva dentro do muro. Some-se a Arena Barueri, inaugurada em 2007 pela prefeitura, que trouxe futebol de primeira divisão para o município.
  • Escolas: a maior concentração de escolas internacionais da Grande São Paulo, repartida com Santana de Parnaíba e usada indistintamente pelos dois lados — St. Nicholas, Escola Internacional de Alphaville, Escola Castanheiras, Pentágono, Anglo Leonardo da Vinci e Colégio Objetivo; no ensino superior, os campi de Alphaville do Mackenzie e da UNIP, e o colégio do Mackenzie no Tamboré.
  • Gastronomia e lifestyle: o Iguatemi Alphaville, aberto em 2011 com mais de duzentas lojas e cinema, e o Shopping Tamboré, de conceito a céu aberto, ao lado; em volta deles, o centro comercial e empresarial que concentra restaurante, hotelaria e serviço para as 200 mil pessoas que circulam por dia pela região.
  • Parques: o verde é interno — mata nativa preservada dentro dos próprios residenciais e faixas ajardinadas ao longo dos perímetros; fora dos muros, as margens do Tietê e a estrutura esportiva municipal em torno da arena.