
Bairro · São Paulo/SP
Alphaville
Não é bairro de São Paulo: é o primeiro bairro de grandes proporções projetado do zero no Brasil, repartido entre Barueri e Santana de Parnaíba, feito de residenciais numerados com guarita própria — e com nome tirado de um filme de Godard.
A narrativa do bairro
Em 1973, os engenheiros Yojiro Takaoka e Renato de Albuquerque, sócios da Albuquerque Takaoka, compraram quinhentos hectares da antiga Fazenda Tamboré dos herdeiros Almeida Prado. O plano não era morar: o loteamento de casas foi vetado pelo prefeito da época, e a dupla fez ali o primeiro centro industrial e empresarial do país voltado a indústrias não poluentes. A HP foi a primeira a acreditar, em 1975, e foi ela quem sugeriu construir casas para que os executivos não viajassem da capital todos os dias — daí saiu o Residencial 1, no mesmo ano. Percebeu-se que morar rendia mais que produzir, e os loteamentos passaram a nascer numerados, do zero ao doze, sem o número sete. As regras eram poucas e duras: proibido casa pré-fabricada, no máximo 22 casas por quadra, quatro metros de recuo obrigatório na frente para o jardim — e era a associação de moradores, não a prefeitura, que liberava o Habite-se. O nome, difícil e emprestado do filme de Jean-Luc Godard, foi obstáculo antes de virar marca. Hoje são mais de 12 mil residências, uma população fixa estimada em 35 mil pessoas e uma flutuante de 200 mil por dia, com cinco hospitais 24 horas — entre eles a unidade Alphaville do Einstein, aberta em 1999 —, agências, hotéis e supermercados dentro do próprio perímetro. Nos anos 1990, Alphaville e Tamboré tentaram se emancipar e formar um município só; o processo foi arquivado.
Os residenciais numerados foram fechados ainda no século XX — o último lançado foi o 12. Não se abre um Alphaville novo: o que muda de mãos é lote dentro de um perímetro que já foi todo repartido.
Alphaville: a cidade que um escritório de engenharia desenhou inteira, muro por muro. Casa, escola e escritório dentro do mesmo perímetro.
O entorno
- Clubes: o Alphaville Tênis Clube, de 1976, é o ponto de encontro histórico do bairro; cada residencial mantém a própria estrutura de quadras, campo, pista e sede social dentro do muro, alguns com centro de treinamento de golfe.
- Escolas: a maior concentração de escolas internacionais da Grande São Paulo — a St. Nicholas School, com campus de 64 mil m² e os três programas do IB; a Escola Internacional de Alphaville, única da região com o IB Continuum completo; a Escola Castanheiras, com o Diploma do IB; além de Pentágono, Anglo Leonardo da Vinci e Colégio Objetivo. No ensino superior, os campi de Alphaville do Mackenzie e da UNIP.
- Gastronomia e lifestyle: o Iguatemi Alphaville, aberto em 2011 com mais de duzentas lojas e cinema, e o Shopping Tamboré ao lado; o centro comercial e empresarial que cresceu em volta dos residenciais e concentra restaurantes, hotelaria e serviço para os 200 mil que circulam por dia.
- Parques: aqui o verde é privado antes de ser público — áreas de mata preservada dentro dos próprios residenciais, como a Mata Voturussu no Residencial 10, e faixas ajardinadas ao longo dos perímetros.



