
Bairro · São Paulo/SP
Lapa
O embrião da zona oeste: sesmaria jesuíta de 1561 às margens do Emboaçava, estação inglesa em 1867, pátio da Sorocabana em 1875 — e um centro comercial que a cidade inteira usa.
A narrativa do bairro
A Lapa é o bairro-centro do distrito de mesmo nome, na zona oeste, e é dele que sai todo o resto. A ocupação começa cedo: há registro de que em 1561 os jesuítas ganharam sesmaria na região, então banhada pelo Rio Emboaçava — o Rio Pinheiros de hoje —, e batizada pelos indígenas de “Emboaçava”, que quer dizer “lugar por onde se passa”. Entre os imóveis daquela paragem destacou-se, a partir de meados do século XVIII, a “fazendinha da Lapa”. Os jesuítas deixaram o lugar por volta de 1743, por causa do terreno acidentado e da falta de mão de obra, e a região voltou a ser quase nada: poucos anos depois, toda a paragem registrava cinco casas e trinta e um habitantes. Sobre o nome há duas versões, e nenhuma foi comprovada — a do português que carregava uma imagem de Nossa Senhora e ergueu uma gruta para a santa, e a da missa anual que os jesuítas celebravam à padroeira.
Quem fez o bairro foi o trem. Em 1867 os ingleses da São Paulo Railway abriram a linha entre Jundiaí e o Porto de Santos, e uma das paradas na capital ficava junto à ponte do sítio do coronel Anastácio de Freitas Troncoso, nas terras que virariam a Lapa; em 1875 a Estrada de Ferro Sorocabana instalou ali pátio e estação. Com os trilhos vieram as oficinas e as indústrias — a Vidraria Santa Marina e os frigoríficos Armour, Bordon, Swift e Wilson —, e com elas operários e técnicos ingleses, croatas, lituanos, poloneses, russos e húngaros, somados aos italianos do norte e de Veneza, aos portugueses, espanhóis, franceses e sírio-libaneses que já chegavam. A marca italiana ficou no mapa: o primeiro loteamento da área se chamou Vila Romana, e as ruas ganharam nome de imperador, general e jurista romano.
O adensamento fez o comércio, e é o comércio que define a Lapa até hoje. Em 1954 nasceu o Mercado Municipal da Lapa — o Mercadão —, erguido no terreno onde se realizava a maior feira livre da capital, hoje com 4.840 m²; em 1968 abriu, na Rua Catão, o Shopping Center Lapa, um dos centros de compras mais antigos da cidade; e a Rua 12 de Outubro virou uma das ruas de comércio mais movimentadas de São Paulo. A infraestrutura de trilhos continua sendo o traço distintivo: o bairro é servido pelas linhas 7-Rubi e 8-Diamante do trem metropolitano, herdeiras diretas da São Paulo Railway e da Sorocabana.
O tecido é consolidado e de escala média — comércio de rua no térreo, edifício de porte moderado em cima. O chão grande ficou com o passado industrial e migrou para os vizinhos: a Vila Romana herdou as chácaras de dez mil metros, e a Água Branca, os galpões. Aqui o que se renova é o comércio, não a quadra.
Lapa: trem inglês, mercadão e rua de comércio. O centro que a zona oeste usa antes de subir para os bairros-jardim.
O entorno
- Clubes: a ACM Lapa, na Rua Brigadeiro Gavião Peixoto, erguida em 1963 em terreno cedido pela Companhia City; o Sesc Pompeia, no galpão que Lina Bo Bardi reconverteu, a poucos minutos; e o Allianz Parque, na divisa com a Água Branca e Perdizes.
- Escolas: o Colégio Santo Ivo, no Alto da Lapa, e a rede tradicional do distrito; o Senac mantém duas unidades antigas dentro do bairro, na Rua Tito e na Rua Scipião, e as faculdades da região ficam todas no mesmo raio.
- Gastronomia e lifestyle: o Mercado Municipal da Lapa e o comércio da Rua 12 de Outubro; o Teatro Cacilda Becker, na Rua Tito, único teatro da Prefeitura na zona oeste; a Praça Cornélia, com feira de artesanato e comida típica aos sábados; e o Tendal da Lapa, na agenda cultural do bairro.
- Parques: o Parque da Água Branca, 136 mil m² tombados com ar de fazenda histórica, e o Parque Villa-Lobos, a caminho do rio.

