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Diário de Bordo · bairros

Vila Nova Conceição ou Itaim Bibi: o que muda para quem vai morar

Dois bairros vizinhos, dois modos de viver o alto padrão. Em três décadas de mercado, aprendi que a escolha entre eles diz mais sobre quem compra do que sobre o metro quadrado.

Por Jeferson Cerqueira3 min de leitura

Vista aérea ao anoitecer da divisa entre Itaim Bibi e Vila Nova Conceição, torres de vidro de um lado, quadras arborizadas do outro.

Em três décadas vendendo no alto padrão de São Paulo, poucas perguntas me fizeram tantas vezes quanto esta: Itaim Bibi ou Vila Nova Conceição? Os dois bairros se tocam, dividem o mesmo céu e quase a mesma faixa de preço, e ainda assim atraem pessoas diferentes. A escolha entre eles raramente é sobre o imóvel. É sobre o modo de viver.

O Itaim não desliga

O Itaim Bibi é a parte da cidade que trabalha e janta no mesmo quarteirão. Tem a agenda dos escritórios, os restaurantes que ditam a temporada, o carro que não para. Morar ali é escolher estar no centro do movimento, e os prédios acompanham esse pulso: um Fasano Itaim, uma Arbórea Itaim, uma Casa Lafer são endereços de quem quer descer do apartamento e já estar onde as coisas acontecem. É um bairro que premia quem gosta de ter tudo a três minutos, e cobra de quem procura silêncio.

A Vila Nova recolhe

Atravesse a avenida e o tom muda. A Vila Nova Conceição é residencial no osso: ruas arborizadas, a praça no meio, uma quietude que o Itaim não tem nem quer ter. Os prédios são mais reservados, muitas vezes de poucas unidades, feitos para quem chega em casa e quer fechar a porta do mundo. Uma Altana, um Chateau Margaux, um The Frame falam essa língua: discrição, vizinhança conhecida, o luxo de não ser visto. Quem escolhe a Vila Nova costuma já ter vivido o barulho, e agora quer o contrário.

O que a rua ensina

O que a planta não mostra, a rua ensina. Sei que a mesma metragem rende dias diferentes nos dois bairros: no Itaim, você ganha conveniência e perde sossego; na Vila Nova, ganha sossego e abre mão de ter a cidade na esquina. Sei que o sol da tarde bate diferente conforme a face da rua, que certas quadras engarrafam às seis e outras não, que um prédio de frente para a praça vale, para quem vai morar, mais do que a diferença de preço sugere. Esse tipo de coisa não está no anúncio. Está em quem andou esses quarteirões por trinta anos.

A conta que ninguém faz na hora

Há uma diferença que só aparece anos depois, na revenda, e por isso quase ninguém a coloca na conta na hora de decidir. O Itaim tem giro: é um endereço que o mercado sempre quer, e um bom apartamento ali costuma sair rápido quando o dono resolve vender. A Vila Nova tem escassez: os prédios são menores, saem poucas unidades por ano, e quem tem não corre para se desfazer. Uma dá liquidez, a outra dá raridade, e as duas protegem o valor por caminhos opostos. Para quem compra pensando também no dia de vender, e no altíssimo padrão isso deveria ser sempre, esse detalhe pesa tanto quanto a metragem. É o tipo de coisa que separa uma boa compra de um bom negócio, e que raramente aparece no anúncio do decorado.

Não há vencedor, há quem você é

Quando alguém me pergunta qual dos dois é melhor, devolvo a pergunta: melhor para quem? O casal que recebe muito e vive a cidade raramente é feliz na quietude da Vila Nova. Quem trabalha em casa e busca refúgio raramente aguenta a intensidade do Itaim por muito tempo. Os dois bairros são dos melhores endereços do país, e é justamente por isso que a decisão não se resolve no metro quadrado. Ela se resolve em como você quer que sejam os seus dias.

O meu trabalho, e o de quem atende com você, nunca foi empurrar o bairro que temos para vender. Foi entender o seu dia antes de falar de imóvel, e então dizer, com honestidade, onde ele cabe melhor. Porque no alto padrão a conta não fecha só com preço: fecha com pertencimento.